RESUMO:

‘Do Mundaneum à WEB Semântica: discussão sobre a revolução nos conceitos de autor e autoridade das fontes de informação.’                                                                    Por Brasilina Passarelli

O artigo fala da revolução a respeito dos conceitos de autor e autoridade, das mudanças nos critérios quando falamos de direitos autorais e em fontes de informações colaborativas, tudo isso impulsionado pelos avanços da WEB e sua sociedade em rede. Desde as fichas de papel até a Wikipédia.

 

Podemos considerar Paul Outlet como fundador da Ciência da Informação, denominado por ele na época, simplesmente de Documentação. Ele criou a CDU e foi co-fundador do Instituto Internacional de Bibliografia, juntamente com Henri LaFontaine. Além disso, ele criou o Mundaneum, um museu com foi inaugurado com 70 milhões de entradas, que mais pra frente serviriam de base para o desenvolvimento de uma enciclopédia universal.

Outlet era um vanguadista, tanto que até hoje é considerado um profissional de visão futurista. Mesmo 60 anos após sua morte, grande parte de seus inventos ainda faz parte do cotidiano das pessoas em pleno século XXI.

Tim Berners-Lee foi o responsável por desenvolver a rede Internet, baseando-se em Theodore Nelson, que foi o criador do termo ‘hipertexto’. No entanto, Berners-Lee criou um sistema bidimensional (com links que apontam somente para fora) que não era exatamente que Nelson havia imaginado, onde ele visualizava um sistema tridimensional, conhecido como projeto Xanadu (a idéia era facilitar a escrita não-sequencial, onde o usuário pudesse escolher o ‘caminho’, num emaranhado de links, chamado de ‘zippered lists’, que permitiriam o a composição de documentos a partir de outros documentos).

Mesmo assim, Berners-Lee criou o WWWC (World Wide Web Consortium), que administra a internet nos EUA, onde todos tem a informação é tratada e distribuída igualmente, conceito trazido da cultura hippie dos anos 60, a qual os desenvolvedores da internet fazem parte. Eles trazem à tona também o foco no usuário, como principal objetivo, onde todos devem interagir com todos, e as relações hierárquicas não refletem o mundo virtual. 

Com isso podemos definir as três gerações da Web:

Web 1.0 – conteúdos de baixa interatividade e foco comercial.

Web 2.0 – redes sociais, folksonomias, publicação automática e geração de conteúdos colaborativos.

Web3.0 – web semântica, rede inteligente com capacidade de busca refinada, reconhece conteúdos específicos através de metadados (descrições e desambiguadores).

 A dificuldade de transformar toda a rede em 3.0 está no fato de ser impossível etiquetar todo o conteúdo na rede. Não existe um controle para tais tags, devido a falta de um acordo, onde seriam padronizados essas etiquetas.

Alguns projetos vem sendo desenvolvidos (Amazon Mechanical Turk, Google Maps, Piggy Bank, Linkedin, FOAF, etc), mas nenhum ainda trouxe resultados significativos e sólidos.

Com a experiência das plataformas colaborativas, como a Wikipédia, entra em discussão o conceito de autoria e autoridade nas fontes informacionais, uma vez que qualquer pessoa pode interagir e alterar um texto e uma informação (sem necessidade de revisão), de quem seriam os créditos dessa informação?

Segundo o co-fundador da Wikipédia, ela trará no futuro um ‘fascinante diálogo entre culturas’ com a incorporação de um bilhão de usuários não-ocidentais.

Há quem pense que se um item na Wikipédia tem problemas, não há necessidade de preocupação porque o tempo se encarregará de consertá-lo, pois não há senso comum errado.

O futuro do futuro

Com o projeto Xanadu re-batizado de Transliterature, Ted Nelson propõe o Transcopyright, que é uma licença para livre utilização de conteúdos online, desde que sejam mantidos os links para os documentos originais.

É complicado dizer se isso dará certo ou não, mas agora esse é um processo que não conseguimos mais parar ou reverter. A informação em massa é um fato, e nos resta somente desenvolvermos uma maneira de lidar melhor com ela, e dessa forma, perdermos o mínimo de informação possível.


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