Postagem realizada em: 01/03/2010 às 21:42:17 - Última atualização em: 30/11/-0001 às 00:00:00
Autor: Iraci Oliveira Rodrigues
Resenha do texto:Do Mundaneum à WEB Semântica: discussão sobre a revolução nos conceitos de autor e autoridade das fontes de informação.
Autora: Brasilina Passarelli
In: DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - v.9 n.5 out/08
Neste artigo a autora discute em uma abordagem histórica o que chama de “revolução nos conceitos de autor e autoridade das fontes de informação”.
Começo primeiro nome importante para essa retomada histórica a autora apresenta Paul Otlet, apontando não somente como o “pai da documentação”, mas também como futurista que no século XIX e XX com a sua preocupação com o controle bibliográfico, pois em prática um projeto gigantesco desse controle (projeto que não chegou a ser completado) e que já apresentava na sua base a idéia do viria a ser a web de hoje.
È interessante nesse histórico das 3 gerações apresentado pela autora, apontar a idéia de neutralidade visada nos anos de criação da internet:
“Berners-Lee criou o World Wide Web Consortium (WWWC) que administra a Internet nos Estados Unidos como um modelo aberto baseado na neutralidade da rede, onde todos têm o mesmo nível de acesso e a informação é tratada com igualdade.” (Passarelli, 2008)
Outro ponto de destaque nesse histórico é que a internete já nasce com o foco no usuário:
“O foco no usuário nasce juntamente com o modelo conceitual da Internet, que preconiza a comunicação de todos com todos, instaurando uma rede de comunicação horizontal em oposição à hierarquia vertical que rege as relações humanas em ambientes outros que não a Internet.” (Passarelli, 2008)
Seguindo o histórico as três gerações da Web, 1.0 , 2.0 e 3.0 são caracterizados de forma suscinta e com exemplos bem escolhidos, exceto, a web 3.0 que segundo a autora ainda não existe na prática, mas já foi formulada conceitualmente.
No entanto a autora apresenta alguns projetos que já estariam implementando os conceitos da Web 3.0, também conhecida como Web Semântica, como o o FOAF – Friend of a Friend, o Piggy Bank e o Amazon Mechanical Turk.
A considerações apresentada sobre o Hipertexto são ricas e apontam para sua inovação na forma e possibilidade de leitura e cruzamento de informações:
“O hipertexto institui a possibilidade da narrativa não- linear com os links de trechos de um documento para outros documentos (que podem ser infinitos), desconstruindo a narrativa linear instituída em 500 anos de comunicação por meio da palavra escrita impressa em papel . Desta forma o hipertexto aliado às potencialidades da conexão em rede na Web imprime à informação na sociedade contemporânea em rede características como: instantaneidade, transitoriedade, interoperabilidade e interatividade, para citar algumas.” (Passarelli, 2008)
Especificamente em relação a discussão de autoria Passarelli aponta um primeiro estudo nos anos 90 de Howard Rheingold, depois cita outros trabalhos, até mesmo da área da psicologia. Também apresenta a posição de autores que tratam da pós-modernidade, como Jean-François Lyotard.
Mas dentro do tema central da discussão da autoridade e autoria na Web, sabiamente a autora trata da tão “polêmica” Wikipedia, tratando dos seus aspectos conceituais de formulação até a discussão do seu alcance e popularidade.
Para apresentar essa discussão, a autora apresenta resumidamente o estudo promovido pela Nature, que comparou verbetes da Wikipedia e da Enciclopédia Britânica, chegando a resultado de que ambas não apresentam grandes diferenças de informação. E como contraponto e a essa visão “positiva” a autora apresenta as críticas de Jaron Lanier a esse modelo de construção de informações por meio de coletivos digitais não-identificáveis.
Como elemento fruto dessa discussão sobre autoridade e autoria e seus devidos direitos, Passarelli apresenta o conceito de transcopyright, criado por Ted Nelson:
“O transcopyright permite que se utilize trechos de uma obra misturando-os a outros trechos criando um novo documento desde que sejam mantidos links para os documentos originais e assim se possa cobrar pelos trechos utilizados.” (Passarelli, 2008)
O texto é rico por traçar um panorama da discussão do tema proposto, apresentando alguns conceitos bases, alguns momentos importantes e alguns autores e criadores de projetos fundamentais para a caracterização desse mundo da Web.