Postagem realizada em: 21/09/2009 às 00:28:19 - Última atualização em: 30/11/-0001 às 00:00:00
Autor: Rita de Cassia Bonadio Inacio
Comentários sobre Orientação bibliográfica e Recursos I – aula 14/09
Inicialmente, houve uma interessante discussão a partir da comparação de alguns trabalhos feitos por alunos dos anos anteriores, sobre o que já comentei no post anterior.
Na sequência da aula de Orientação bibliográfica houve a realização do seminário sobre “Tema e Problema”, cuja apresentação colocou questões importantes para a reflexão sobre o desenvolvimento de um projeto de pesquisa.
Ficou claro no seminário que “tema” é o assunto que se deseja pesquisar ou desenvolver, o qual deve ser escolhido a partir de alguns critérios, tais como: afinidade, interesse pessoal ou da instituição; limite do preparo do pesquisador para desenvolver o tema pretendido (domínio da língua, das técnicas, experiência, etc.); originalidade e oportunidade do tema escolhido; viabilidade (econômica e de tempo) e conhecimento disponível sobre o assunto a que se refere, sendo necessário haver material de consulta, fontes de qualidade e dados suficientes para o desenvolvimento da pesquisa.
Desse modo, foi destacado que o tema deve ser adequadamente delimitado, e precisamente distinto de temas afins, a partir de determinada perspectiva, para completar sua colocação em termos de problema. Então, o tema deve ser precisamente delimitado em termos geográfico, espacial, temporal, etc. com vistas à realização da pesquisa. Assim, pode-se dizer que o tema de uma pesquisa é uma proposição até certo ponto abrangente, que sob a forma de assunto não permite iniciar a investigação propriamente dita. Então, a escolha um tema por si só não é um problema de pesquisa. O tema deve ser problematizado para tanto, de forma que a formulação do problema, que é mais específica que o tema, indica exatamente qual a dificuldade que se pretende resolver dentro dos limites traçados pelos recortes iniciais do tema selecionado. Portanto, o problema de pesquisa deve aponta para o lugar específico dentro do amplo espaço de acomodações de um tema.
O seminário mostrou que numa pesquisa deve se evitar a abordagem de temas amplos que só conduzem a visões superficiais e generalizadas, que não possibilitam uma delimitação adequada do tema e sua problematização. Pois, é com o problema que se desencadeia todo o processo de investigação proposto no trabalho de pesquisa, e da colocação do problema em relação ao tema desencadeia formulação da hipótese geral a ser comprovada.
Nessa perspectiva, o seminário um problema deve ser formulado de modo claro e preciso; deve ser suscetível de investigação científica não podendo ter como solução juízos de valor; sua definição deve surgir das leituras, dos debates, das experiências, da aprendizagem, da aproximação com o tema escolhido. Enfim, deve ser delimitado pelos objetivos daquilo que se deseja provar ou desenvolver como uma dimensão de investigação viável sobre o tema escolhido. Então, em primeiro lugar, cabe verificar se o problema cogitado pode ser investigado cientificamente, traduzido por variáveis que podem ser testadas, observadas, controladas e manipuladas. Os questionamentos sobre o tema devem levar ao problema, que pode ser relacionado a outros problemas.
O seminário, de modo geral, conseguiu mostrar que o esforço empreendido num trabalho de pesquisa deve ser orientado pelas seguintes questões: O que? (tema e problema); Para quê e para quem fazer? (objetivos); Por quê? (justificativa); Onde, como e com quê? (corpus de análise, metodologia, métodos e técnicas) Quanto e quando? (recursos e cronograma)
Na aula de Recursos foram apresentados comentários sobre certos guias feitos por alunos de anos anteriores e foram destacados alguns pontos levantados nos relatos de visita à Biblioteca da ECA.
Sobre a comparação dos guias, destaco: o problema dos índices; a não indentificação clara do público alvo; o escopo muito ambrangente de alguns trabalhos; a confusão entre o histórico do tema e a caracterziação da área a ser representada; a falta de explicitação na metodologia de construção do trabalho; a não identificação das cas-editoras; problemas nos aspectos extrínsecos e na edição final; a não localização das bibliotecas onde se encontram as referências levantadas e selecionadas.
Sobre a visita, a discussão mostrou que o contato realizado produziu "descobertas" interessantes sobre espaços e fontes que não estão visíveis à primeira vista, mas que muito dizem sobre os serviços realizados dentro da instituição focalizada.