Comentários sobre Orientação bibliográfica e recursos informacionais I - aula do dia 24/08

Os conceitos de conhecimento e de ciência são definidos de maneiras diversas pelos diferentes autores que se lançaram a refletir sobre essa produção do pensamento humano, o que mostra que há diferentes aspectos que compõem os processos do conhecer e que terminam implicando em diferentes classificações, formas ou tipos de conhecimento.

De modo geral, os autores afirmam que quando falamos de conhecimento nos retemos à relação entre um sujeito simbólico que deseja conhecer e o objeto a ser conhecido. Desse modo, tanto o processo quanto o produto do conhecimento responderia à necessidade humana de compreender e transformar a realidade. Por outro lado, a produção de conhecimentos sobre as coisas resultaria também da intenção de um ser simbólico que busca também conhecer a si mesmo e transformar-se.

Entende-se que é desse desejo que acompanha a história da humanidade que surgiram diferentes processos e formas de conhecer a realidade definidas como: mito, senso comum, filosofia, arte e ciência. Mas, a história do desenvolvimento do conhecimento científico mostra que toda ciência pretende se constituir como resposta diferente daquelas produzidas pelas demais formas de conhecimento. Contudo, tal como observam Lakatos e Marconi (1986), o que diferencia o conhecimento comum do científico é a forma, o método e os instrumentos de “como conhecer”. Assim, o conhecimento comum não se distingue do conhecimento científico nem pela veracidade nem pela natureza do objeto conhecido.

Nesse sentido, o conhecimento científico é um produto resultante da investigação científica que nasce não apenas da necessidade de encontrar soluções para problemas de ordem prática da vida diária, já essa é uma característica que também pertence ao conhecimento do senso comum, mas seu objetivo é fornecer explicações sistemáticas que possam ser testadas e criticadas através de provas empíricas e da discussão entre os cientistas.

Essa perspectiva aponta que todo tipo de conhecimento produzido é dependente das formas de aquisição que a pessoa utiliza e pode ser influenciado pelo contexto em que esse processo se desenvolveu. E isso também é válido para o conhecimento científico, pois como lembra Baccega (1998, p. 8):

 O conhecimento é um processo que prevê a condição de reelaborar o que vem como um “dado”, possibilitando que não sejamos meros reprodutores; inclui a capacidade de elaborações novas, permitindo reconhecer, trazer à superfície o que ainda é virtual, o que, na sociedade, está ainda mal desenhado, com contornos borrados. Para tanto, o conhecimento prevê a construção de uma visão que totalize os fatos, inter-relacionando todas as esferas da sociedade, percebendo que o que está acontecendo com cada uma delas é resultado de uma dinâmica que faz com que todos interajam, dentro das possibilidades daquela formação social, naquele momento histórico; permite perceber, enfim, que os diversos fenômenos da vida social estabelecem suas relações tendo como referência a sociedade como um todo. Para tanto, as informações – fragmentadas – não são suficientes.

Nessas condições, é preciso ter claro que o caráter provisório do conhecimento científico e a importante função que a dúvida possui no processo de desenvolvimento da produção científica. Do mesmo modo, é preciso ter cuidado com os problemas da autenticidade e da confiabilidade das fontes e recursos informacionais que alimentam esse processo.

Diante dessas questões cabe refletir que em certos casos a técnica mais simples basta para se resolver um problema comum, o que o uso da tecnologia só complicaria e não resultaria numa melhor solução. Quando isso acontece fica claro que nem sempre é no conhecimento científico que encontramos as melhores respostas. É sobre isso fala Mario Sergio Cortella num pequeno vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=f0z56D5qCO0

Assim, há diferentes formas de conhecer a realidade, diferentes saberes, diferentes ciências e diferentes conhecimentos científicos. Por isso, uma postura importante pode ser a que é descrita no aforisma Quando é preciso despedir-se: “Daquilo que sabes conhecer e medir, é preciso que te despeças, pelo menos por um tempo. Somente depois de teres deixado a cidade verás que altura suas torres se elevam acima das casas” (Nietzsche apud MÁTTAR NETO, 2002, p. 36).

 

Referências:

BACCEGA, Maria Aparecida. Comunicação e Linguagem: discursos e ciência. São Paulo: Moderna, 1998.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia científica. São Paulo: Atlas, 1986.

MÁTTAR NETO, João Augusto. Metodologia científica na era da informática. São Paulo: Saraiva, 2002.

 

 

 

 


 

 

 


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