Expressões homem-máquina na literatura
Postagem realizada em: 19/03/2007 às 19:05:16 - Última atualização em: 30/11/-0001 às 00:00:00
Autor: Edison Luis dos Santos
Interface homem-máquina na literatura
Ø Inspiração de base: O MITO DE PROMETEU (peça escrita por Ésquilo) - um dos titãs da mitologia grega, que teria roubado o fogo do Olimpo para dá-lo aos homens [Por esse motivo Zeus o castigou, acorrentando-o a um rochedo do Cáucaso para que um abutre bicasse permanentemente seu fígado.]
Sugestões de Leitura
1. O homem de areia (1816), de E.T.A Hoffmann[1]
2. Frankenstein, ou o moderno Prometeu (1817), de Mary Shelley[2]
3. As Possuídas, de Ira Levin,[3]
4. “R.U.R.” (peça teatral), de Karel CAPEK, )[4]
5. Não tenho boca e preciso gritar (1967), de Harlan Ellison,*
6. A máquina perdida (1932), de John Wyndham[5]
7. A torre de vidro (1970), Robert Silverberg[6]*
8. O conflito evitável (1950), de Isaac Asimov,*
9. Impasse (1942), de Isaac Asimov,[7]
* Comentários
Ø O computador eleva ao grau máximo a suspeita dos humanos em relação às máquinas. A maior parte das obras de ficção científica destaca os temores em relação às máquinas inteligentes. A idéia de um computador evoluir até se tornar Deus - e não necessariamente uma divindade bondosa - é apresentada em várias histórias. No conto Resposta (1954), de Fredric Brown, cientistas conectam todos os computadores da totalidade de planetas habitados do universo inteiro (noventa e seis bilhões de planetas) a um supercomputador capaz de combinar o conhecimento integral de todas as galáxias. Em seguida, um cientista formula ao computador uma pergunta que nenhuma outra máquina tinha sido capaz de responder: Deus existe? Ao que o computador responde sem hesitação: Sim, agora existe. Apavorado, o cientista tenta desligar a chave, mas é fulminado por um raio caído de um céu sem nuvens.
Ø Já o conto Não tenho boca e preciso gritar (1967), de Harlan Ellison, faz jus ao título que recebeu: “a melhor história de horror que a ficção científica criou até hoje em torno dos computadores”19. Com seu estilo direto e ultrajante, Harlan Ellison conta a história de uma Terra cujo período de Guerra Fria desencadeou a Terceira Guerra Mundial. O conflito alcançou proporções tão gigantescas que os políticos recorreram a computadores para resolver a situação. A solução do computador AM para a guerra foi exterminar a humanidade, reduzindo-a a cinco espécimes, a quem ele tortura e mata, sempre ressuscitando-os em seguida para mantê-los em agonia por toda a eternidade.
Ø Os enredos otimistas ficam por conta das expectativas de que a inteligência superior da máquina possa ser usada para concretizar o sonho moderno de construção de organizações sociais justas. Isaac Asimov defende consistentemente os benefícios de uma sociedade administrada por máquinas inteligentes. Em O conflito evitável (1950), Asimov imagina uma máquina inteligente capaz de refrear as tendências destrutivas da humanidade. Sob o controle de computadores a guerra torna-se um conflito evitável. Ao se posicionarem no limiar do humano, robôs, andróides e computadores colocam a questão de o quê define o humano: o corpo físico, a constituição biológica, as emoções, a percepção sensório-motora, o pensamento, a capacidade de criar vida, e que relação existe entre esses elementos.
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Fonte: OLIVEIRA, Fátima Cristina Regis Martins de. “Vida artificial e os desafios para as fronteiras entre humanos e máquinas: um olhar da ficção científica”. In: INTERCOM - Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Trabalho apresentado no NP08 - Núcleo de Pesquisa Tecnologias da Informação e da Comunicação, XXV Congresso Anual em Ciência da Comunicação, Salvador/BA, 04 e 05. setembro.2002.
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[1] Em O homem de areia (1816), de E.T.A Hoffman, o professor Spalanzani é condenado judicialmente por ter apresentado Olímpia – uma boneca de madeira animada por segredos alquímicos – como sua filha legítima e tê-la inserido no convívio social. O turco falante de Autômatos (1814), também de E.T.A Hoffman, e o autômato de The Bell-Tower (1855), de Herman Melville, também trazem conotações negativas para a relação entre humanos e seus autômatos.
[2] O romance Frankenstein, ou o moderno Prometeu (1817), de Mary Shelley, é a primeira história em que matéria inerte é animada por meio de procedimentos e conhecimentos científicos, sendo por esta razão considerada a primeira obra de ficção científica. Na experiência do trágico Dr. Frankenstein repousam quatro das principais questões sobre as relações entre homens e autômatos: a promessa de obtenção da força prometéica, o medo de que o conhecimento sobre a criação da vida seja proibido e leve o homem à ruína, o receio de que a criatura se volte contra seu criador e o temor de que a criatura se reproduza por conta própria. A obra de Mary Shelley é um marco também por apresentar claramente as questões de sua época: a substituição da magia pela ciência.
[3] Nesse romance, os homens da pequena cidade de Stepford substituem suas esposas feministas por réplicas perfeitas que não se importam em serem usadas, literalmente, como objetos.
[4] Primeira obra importante do século XX a tratar a questão da vida artificial, a peça teatral R.U.R. (Rossum’s Universal Robots), escrita em 1920 pelo escritor tcheco Karel Capek, e encenada originalmente em Praga em 1921. Metáfora da mecanização dos operários nas fábricas, R.U.R. apresenta de modo pujante o temor de que nossas criações nos superem. Com este texto, Capek introduziu em praticamente todas as línguas o sentido atual da palavra robô: mecanismo automático que realiza trabalhos e movimentos humanos. Do tcheco robota, robô significa trabalho forçado, ou escravo. Robotnik, também do tcheco, é a palavra para servo ou escravo. Ver: CAPEK, Karel. “R.U.R.”. In: Os melhores contos de FC de Júlio Verne aos astronautas. Lisboa: Livros do Brasil, s/d. (Col. Argonauta, nº 100 - vol. duplo comemorativo)
[5] Conta a saga de uma máquina originária de Marte, onde pertence a uma raça que convive com os seres humanos, gozando de direitos iguais. Ela veio para a Terra acompanhando um marciano em expedição ao nosso planeta, mas a espaçonave sofreu um acidente e o marciano morreu. Não suportando viver no terceiro planeta, o artefato comete suicídio e deixa uma carta explicando suas razões. A narrativa é contada em primeira pessoa pela máquina. O conto prossegue com a máquina narrando suas aventuras na Terra, analisando criticamente os seres humanos, e desabafando sobre o quanto se sente mal em ver o estado primitivo em que se encontram as máquinas neste planeta.
[6] SILVERBERG, Robert. A torre de vidro. Lisboa: Publicações Europa-América, s/d. (Coleção Ficção Científica, no 13). A torre de vidro (1970), de Robert Silverberg, desenvolve emoções tipicamente humanas como o prazer sexual, o amor e o medo. Os andróides revoltam-se contra a condição de subordinados e lutam por sua emancipação. Entretanto, esta luta não pode mais ser compreendida como a revolta da criatura que ameaça o criador, nem mesmo como metáfora para o castigo da humanidade que ousou conhecer os segredos da vida. Os andróides de Silverberg não são meras máquinas, possuem alma; não são seres assassinos tentando destruir a raça humana, lutam pelo direito de ser livres.
[7] ASIMOV, Isaac. “Impasse”. In: Visões de Robô. Rio de Janeiro: Record, 1986 (1994),p. 116-136. Asimov revoltava-se contra o que denominava “complexo de Frankenstein”. Na visão de Asimov, as histórias que narram hordas de robôs assassinos ameaçando a raça humana representam não apenas o temor de que a criatura supere e ameace o criador, mas também imputam medo ao progresso da ciência e ao conhecimento dos segredos da vida.
Discente: EDISON LUÍS DOS SANTOS, N.USP 0359953
Biblioteconomia, matutino
Disciplina: Recursos Informacionais II
Tema: Interface Homem-Máquina (IHM)
Data publicação: 16.março.2007